as palavras são como gaivotas, dão asas ao voo do sonho, espreguiçam-se nos meus ouvidos, derrubam os meus limites, recordam-me com doçura tudo aquilo que perdi e, surpreendem-me com a esperança do que ainda me resta viver…
natalia nuno
Já nada invento, minha memória exausta é seara de medo onde as palavras são punhais, duras e hábeis como pedras… natalia nuno.
as palavras são como gaivotas, dão asas ao voo do sonho, espreguiçam-se nos meus ouvidos, derrubam os meus limites, recordam-me com doçura tudo aquilo que perdi e, surpreendem-me com a esperança do que ainda me resta viver…
natalia nuno
lento outono, assim sou eu de verdade como folha caída ao abandono, no coração a nostalgia, saudade… tudo unido do princípio ao fim, da verde à amarelada folhagem, é assim hoje minha imagem, deixem-me em paz então, escuto o passado e o futuro neste pedaço de chão, onde a fé já esmorece e tudo se entristece… conforma-me se o amanhã voltar, a noite, estranha doçura deixa, talvez a saudade a lembrar… em mim uma íntima queixa, difícil é o caminho, mas há que caminhar.
natália nuno
meu pé descalço
vamos passando os dias a sonhar, vamo-nos rindo nos momentos de ilusão, e, há momentos em que cismamos que havemos de ser felizes, é que nem sempre a felicidade está presente… então, tomei ao tempo um tempo para sonhar, sem deixar que ele perturbe os meus sentidos…e na poesia quero soltar o que me vai na alma…minha história é tão antiga que algumas coisas já esvaziei da memória, sou então como uma jarra antiga onde as flores foram morrendo enquanto o pó foi crescendo sobre os móveis, agora tenho os cabelos brancos e a solidão me pegou. Mas, neste tempo que tomei ao tempo vou arrumando sentimentos e deixo que a tarde caia sobre meu rosto, tomo o atalho do meu coração que me leva às lembranças, revisito os cantos da minha aldeia e sinto-me uma andorinha acabada de chegar, trazendo nos olhos a primavera, estou descalça para não chegar tarde que o sol está a cair, já avisto o vermelho dos telhados, ouço o eco dos sinos e ao longe o verde dos frondosos salgueiros da beira rio…já ouço o cão ladrar dando sinal que alguém está para chegar, ele que foi testemunha da minha alegria de criança, lá está o portão que ainda chora o meu adeus, não sei se entre!? É que as paredes do meu quarto devem ter humidade, o tempo não se esquece de fazer danos, mas a saudade obriga-me a entrar, dou volta à chave, lá está a minha cama estreita nela já ninguém se deita, abro a janela espreito por ela o rio que canta a mesma melodia… e ele me olha como se visse ainda a menina esguia que nas águas se banhava e lá em baixo a horta que eu pensava estar morta de sede, e qual não é minha surpresa… meu pai a regar, olhou-me, e afagando-me com o olhar deixou-me saudosa no tempo…
natalia nuno
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