nosso amor é louco…

nosso amor é louco

Partilhamos silêncios!
a ele nos remetemos…
falo à toa…
mas, o silêncio que se abate
me magoa.
plantámos o jardim
na esperança de o ver florir
dissipam-se as brumas do desassossego
és alívio para o meu mal, a sorrir
numa flor pego
ligados pelo mesmo pensamento
surge um estranho fulgor no olhar
é hora de amar.

não é possível alterar
o curso do nosso rio
nem desviar dos olhos
lágrimas mornas e delicadas
nosso amor é velho como o tempo
tão velho como nossas passadas.
é velha canção de embalar
que levamos a vida a entoar
balada cheia de ternura
que cura a minha tristeza.
sou rosa caída no chão
te baixas a apanhar
a luz esmorece um pouco
a lembrar…a hora de amar.

nosso amor é louco
como um bater de asas
e estremecimentos
guardo ciosamente os pensamentos
o porquê do silêncio esqueço agora
meu corpo tremeu

Oh meu Deus…e o teu!

natalia nuno

Anúncios

este afecto…

instante da entrega
serei tua se me quiseres
meu coração do teu
não despega
este afecto que há muito nasceu
foi talhado no céu,
prevalece no tempo,
o destino o marcou…
foi Deus que assim destinou

natalia nuno

escutando meus passos…

no sonho há aroma a magnólias
vindo do tempo, onde o tempo não contava
e o sol se aproximava de mim doce
abrindo a manhã como se fosse
a minha própria pulsação,
tempo sem tempo, cantava
um pássaro no meu riso
e habitava amor no coração.

estendo a minha mão
a esta vertigem que é sonhar
e é como se fosse o instante dum beijo
em que me olhas com um só desejo
a sede de possuir-me,
como vai longe a quimera
e eu na solidão, à espera…
no oásis da minha memória
ainda há uma busca indecisa
que meu coração precisa
que a ternura lhe seja entregue.

mas o tempo corre, segue,
e deixa apenas recordações
nuvens escuras, visões, mas uma claridade
indistinta, e um só pensamento sobre ti
dos momentos que vivi, e
uma derradeira saudade…um mundo de interrogações.

no coração trago a herança dos anos
e na boca arco-íris de sílabas que soletro
que são teias e outras favos de mel,
teço e desteço ilusões, enganos e desenganos
o amor e a desdita
que eu grito até ao fim,
ao fim da vida, ao fim da escrita.

trago em mim amarelas florestas de outono
no calafrio do meu corpo adormecido
no meu Deus supremo me abandono,
caindo assim, a minha metade
mais trémula no esquecido.

e fica a censurar-me esta saudade.

natalia nuno

aurora boreal…

Abria-se a escuridão da noite
nas ramagens o rumor do vento
ao abandono nossos corpos nus
numa entrega como flores ao relento
lá fora a vida levando sua cruz
tu eras o vento que me açoitava
o interminável sol que me aquecia
eu a flor que por ti brotava
feliz até ver nascer o novo dia
sempre o amor com intensidade
nas mãos hoje, gestos de saudade

Carícias como nuvens brancas perdidas
pairando sobre nossos corpos
depois a doçura dos silêncios,
das horas enlouquecidas
resta ainda uma indelével frescura
cascatas de risos e ternura…

cada dia mais viva esta magia
tanta era a emoção no caminhar
hoje a recordação em mim irradia
como a luz boreal que noite e dia
é presença ditosa no nosso olhar.

natalia nuno

neste mar embalador…

não sei das ondas que hão-de vir
nem sei para onde me levarão
mas se o coração partir
nem mais um ai me ouvirão,
ando neste mar infinito
ondas vêm outras vão.
em vão contra a tempestade
com o coração aflito
a morrer de saudade

ondas vão e outras vêm
trazem saudosas vozes de outrora
presa ao passado me têm
no sonho e na saudade agora
deixo-me ao sabor da corrente
outras vezes em mim me abrigo
e o passado se faz presente
e no sonho estou contigo

neste mar embalador
onde não somos indiferentes
na corrente vamos ao sabor
do amor, que sinto e tu sentes
brilha a chama no meu olhar
na minha boca há desejos
deixa as bocas de inveja falar
e enche a minha de beijos

trago o coração satisfeito
de ouvir somente o que dizes
quase não cabe no peito
por sermos assim felizes
ficam os olhos marejados
será a vida uma ilusão?!
os pensamentos fatigados
onde está a ventura então?

grito por amor em vão
daquele amor que me ofertaste
onde está a ventura então?
se ao sonho te negaste!

natalia nuno
2001/3

inquietação nocturna…

sou o aconchego do teu coração
sou a trave a que te encostas
eu te dou e me dás a mão
digo gosto…dizes gostas
sou o teu calor de inverno
e o teu luar de Agosto
é o nosso amor eterno
estrela para lá do sol-posto.
reforçamos sentimentos
cada dia mais lembranças
são violinos numa velha caixa
de madeira,
até que Deus queira

razão porque se caminha
a vida é nosso bem maior
apesar das adversidades
segue com nosso amor
um cálice, a transbordar de saudades…

…………………………………

os dias avançam e morrem
e o que fica neles de mim?
um avanço, um recuo
e uma melancolia sem fim
quando me tocas, ainda que seja com o olhar
deixo o corpo ao abandono
e de amor o coração deixo de novo inundar
recolho aos sonhos
e é como se me abrisses os braços
eu me perco para te encontrar
atravessas-me o coração que do teu
segue o compasso…o amor queima-me os dedos
e é já de madrugada, empalideço como a lua
esqueço o poema, esqueço que fui tua
sinto-me uma cana arrancada,
semente longe da raiz
ou estrela apagada,
tão somente a que tanto te quis.

natalia nuno

este poema…

neste poema há o rosto

duma mulher triste

nas palavras abriga-se assustada

tem a idade dum tempo sem idade

e o bocejar cinzento

quando o pensamento se passeia

pelos labirintos da saudade.

neste poema há ainda outros sinais

palavras surdas de consoantes e vogais

que ora são rios de mel

ora são agitações e fel…

este poema é feito

de cicatrizes, rugas e sonhos

e insónias que não deixam adormecer

encantos e desencantos

memórias de momentos de prazer

de ternura, de dureza e insensatez

de palavras surdas providas

da minha surdez…

palavras encostadas aos meus lábios

alheias ao tempo

surgem em ventos de desejo

recordando o tempo que me agasalhou

outrora…

e eu acalento o sonho…hora a hora…

natalia nuno